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Secretário de Transportes do DF diz que sabia de propina para distritais

O secretário de Transportes do Distrito Federal, Alberto Fraga (DEM), afirmou neste sábado (19) que sabia de um esquema de pagamento de propina a deputados da Câmara Legislativa para aprovar a Lei do Passe Livre com uma emenda que estendesse o benefício a deficientes. A denúncia foi feita pelo empresário do setor de transporte Valmir Amaral, que confirmou a acusação em depoimento nesta quarta-feira (16) ao Ministério Público do DF.

No depoimento, Amaral contou que no meio deste ano foi procurado pelo dono da Viplan, Wagner Canhedo, para entrar com R$ 170 mil no esquema. O dinheiro seria para que os deputados aprovassem uma emenda estendendo o passe livre aos deficientes. De acordo com Amaral, o custo seria de R$ 1 milhão para alterar a lei e mais R$ 600 mil para derrubar o veto do governador José Roberto Arruda (sem partido).

Uma conversa gravada pelo ex-secretário de Relações Institucional, Durval Barbosa, que detonou o escândalo do mensalão do DEM de Brasília, mostra um dos supostos envolvidos no caso da propina da Lei do Passe Livre.

O deputado distrital Benício Tavares (PMDB), que segundo Amaral teria recebido dinheiro, comenta com o ex-secretário que o esquema era comandando pelo presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM).No vídeo, Durval cita uma conversa que o secretário de Transportes, Alberto Fraga, teria mantido com Wagner Canhedo, que ele chama de velho.

“Inclusive, ele falou com o velho. O velho teve numa audiência com ele e ele falou o seguinte: ‘Pô, vocês antes de falar comigo, sem falar comigo vocês vão lá e cacifam o deputado! Vocês têm que falar comigo que a gente vai junto! Eu estou fora dessas coisas. Entendeu? Entendeu o raciocínio?”, afirma o ex-secretário na gravação.

Neste sábado, Fraga negou a conversa tenha acontecido, mas afirmou que sabia do esquema. Ele disse ter denunciado o caso a alguns jornalistas na época e justificou não ter revelado o esquema publicamente antes por não ter provas. A emenda ampliando o benefício do Passe Livre para os deficientes iria triplicar os gastos do GDF com o transporte gratuito.

“Desde o início, quando esse assunto surgiu, eu recebi a notícia de que havia esse pagamento, Eu disse aos empresários, numa reunião com todos os empresários, que eles iriam perder dinheiro, porque eu não iria aceitar aquela emenda”, garante Fraga.

Uma nova Lei do Passe Livre foi aprovada segunda-feira (14) pelos deputados distritais, desta vez sem incluir os deficientes. O governo teve que mandar um projeto à Câmara Legislativa, depois que o Ministério Público questionou a lei alegando que só o Executivo poderia apresentar propostas que aumentassem os custos para o GDF.

A assessoria do deputado Leonardo Prudente informou que ele não assinou a emenda, que foi apresentada por vários deputados. Benício Tavares negou ter recebido dinheiro. Wagner Canhedo não foi encontrado para comentar a denúncia.